Músicas inspiradas na queda do Muro de Berlin e na Guerra Fria

 Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida :a República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, que passou a ser zona de influência soviética e, portanto, socialista. A República Federal da Alemanha, com capital em Bonn, ficou sob a influência dos países capitalistas. A cidade de Berlim foi dividida em zonas de influência de 4 países: URSS, EUA, França e Inglaterra.Concretizando esta divisão, foi levantado o Muro de Berlin, dividindo fisicamente a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista

Quando Ronald Reagan, em 12 de junho de 1987, em frente ao Portão de Brandemburgo,  disse “Tear down this wall “(derrube este muro) endereçando estas palavras ao líder da União Soviética que na época era Mikhail Gorbachev, muitos se espantaram e ao mesmo tempo se identificaram com as palavras do presidente dos Estados Unidos da América.A crise nos países socialistas funcionou como um catalisador do fim da Guerra Fria. Os países do bloco, incluindo a União Soviética, passavam por uma grave crise econômica na década de 1980. A falta de concorrência, os baixos salários e a falta de produtos causaram uma grave crise. A falta de democracia também gerava uma grande insatisfação popular.A Guerra Fria sempre inspirou os músicos ao redor do mundo, cada um dando seu recado à sua maneira(durante e após o seu  fim).

Primeiramente, é importante falar de uma banda alemã: Scorpions. Klaus Meine, vocalista  da  banda, escreveu “Winds of Change”, lançada no álbum “Crazy World” em 1990 falando deste momento glorioso na história da humanidade.Detalhe: a música foi escrita em setembro de 1989, meses antes da queda do muro, inspirada nas mudanças sociais e políticas da Europa.  Explico  isso  porque muitos pensam que a música foi escrita após  a queda do muro. O clima  no  continente propiciou a derrubada do muro e “Winds of Change” reflete este clima.

 O álbum “The Wall” do Pink Floyd, lançado em 1979 pela banda britânica, já fazia crítica contundente ao sistema ditatorial.Em 21 de julho de 1990,Roger Waters e vários convidados tocaram no show “The Wall Live in Berlin”, que utilizou um enorme muro cenográfico que foi derrubado ao final do show.

 “We are one” de Paul Van Dyk, lançada pelo compositor alemão em um single de 2004 foi escolhida para encerrar as festividades dos 20 anos da queda do muro em 2009. Não é para menos: sua letra ufanista virou uma espécie de hino para celebrar as qualidades do país.

Elton John escreveu Nikita em 1985, falando de um amor entre uma guarda de fronteira e um turista, protestando, de forma genial ,como sempre, contra a guerra fria.

Taylor Swift escreveu “Change” com uma bela letra falando sobre um momento de mudança, claramente relacionada à queda do muro.

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É impossível enumerar todas as músicas inspiradas no tema, apenas ciei e sugerí as que considero mais interessantes.

A importância de John Mayer para o Blues, o Pop e para a indústria da música com um todo

Influenciado por David Mathews em sua forma de cantar e por Jimmy Hendrix e Stevie Ray Vaughan em sua forma de tocar guitarra, John Mayer é o único cantor/compositor que figura  nas  paradas  Top 40 gringas empunhando uma guitarra. Desde o surgimento de Lenny Kravitz , que mistura Soul , Funk Americano e Rock (muito influenciado por Prince ), não vimos um protagonista tangendo as seis  cordas de forma tão representativa. Isto é muito importante para a cultura da guitarra , pois , hoje em dia , as lojas e grandes fabricantes (como a Gibson, recentemente) reclamam de queda vertiginosa na venda de guitarras e acessórios para  as mesmas. Sabemos que a maioria das guitarras vendidas ao redor do mundo é de modelos para iniciantes e o fato de existir alguém carismático como John Mayer no mainstream faz com que adolescentes queiram aprender guitarra e aquecer o mercado deste instrumento.

John grava suas músicas no formato radiofônico (músicas de até quatro minutos de duração, estratégia usada pelas rádios para manter a programação mais dinâmica) , mas em seus shows ele deixa correrem livres solos e improvisações de sua banda, resgatando a tradição do Blues. O público adora esta verdadeira celebração da boa música em seus shows.

John Mayer é um hitmaker de mão cheia. Só para citar um exemplo, “Gravity”, um de seus maiores  sucessos , foi usada por astronautas americanos como música para despertar em 2007 enquanto estavam em uma missão. A música é um Blues que nasceu enquanto Mayer tomava banho e pensava sobre a vida.

O atual mercado fonográfico está dominado por artistas que usam recursos eletrônicos em suas músicas, deixando instrumentos orgânicos como guitarras , baixo e até bateria em segundo plano. No Brasil , por exemplo, o Rock teve seu ciclo máximo na década de 80, quando as bandas frequentavam a grande mídia televisiva e tocavam nas rádios. Com o advento da Computer Music e da Internet, tudo mudou. Hoje, as pessoas não precisam saber tocar um instrumento músical pra compor música(não quero  discutir aqui a questão qualitativa da música  feita hoje, atenho-me aquí ao aspecto mercadológico).

Atualmente,muitos brasileiros reclamam da falta de música feita organicamente como Rock , Blues e outros gêneros na grande mídia. Isso é um fenômeno mundial.Nós músicos  preocupamo-nos com os rumos que a indústria da música está tomando pois isso reflete diretamente em nosso cotidiano profissional. Quanto mais artistas  como John Mayer aparecerem , mais instrumentos musicais são vendidos e mais pessoas matriculam-se nas  escolas de música e cursos online para a prender a tocar um instrumento.

Álbuns e músicas de sucesso essenciais de 1984

Álbuns Essenciais de 1984

1984 (escrito em1948), além de ser o título do livro do qual saiu a famosa expressão “Big Brother”, foi uma ano muito importante no mundo da música tanto por revelar bandas novas que posteriormente se tornariam grandes bandas, quanto por ser o ano de lançamento de álbuns importantes de bandas consagradas.

O Bon Jovi lança seu primeiro LP neste ano. A primeira e empolgante faixa da bolacha mostra bem o poder de fogo da banda : “Runaway” torna-se hit  instantâneo. O Van Halen lança “1984” com uma polêmica  capa e um disco fantástico no qual se destacam “Panama” e “Jump”, hit que tornou-se padrão para várias bandas de Hard Rock que viriam a seguir (bela introdução de teclado, refrão poderoso ,solo de guitarra avassalador e pausa para nova introdução do teclado).

Red Hot Chilli Peppers lança seu primeiro álbum já misturando Funk americano com Rock. Steve Vai começa sua carreira solo com “Flexable” influenciado, logicamente, por Frank  Zappa A  banda  de Synthpop Alphavile estréia com “Big in Japan” e o Peterpântico hino “Forever Young”.O Iron Maiden detona com “Powerslave” com linda capa em tema egípcio e repleto de clássicos do Heavy Metal. Whitesnake apareceu  com “Slide it in”, uma  aula  de  Hard  Rock de onde saiu “Love ain’t no Stranger” (que também foi copiada por várias bandas  depois).

A dupla  Hall e Oates veio com “Big Bam Bum” (sem trocadilhos, please) que tinha o hit  “Out of  Touch”. Queen mais uma vez abalou geral com “The Works” misturando Pop e Rock com “I want to Break free” e “Radio Ga Ga” (sim, você está certo(a), a Lady Gaga tirou o nome desta música).The Boss , Bruce Springsteen, dita as regras com “Dancing in the Dark “ e “Born in the U.S.A.”, faixa título do álbum. Madonna lança “Like a Virgin” contendo hits do início ao fim.

No Brasil, o Kid Abelha aparece com seu Pop dançante com o disco “Seu Espião” disparando 5 hits: “Como Eu Quero”, “Pintura Íntima” ,”Fixação” “Por que não Eu” e “Nada Tanto  Assim”.Também cabe destacar a produção impecável de Liminha que foi responsável por grandes álbuns da  década de 80. Lulu santos lança “Tudo Azul”, os Titãs aparecem  com  o  primeiro disco , os Paralamas lançam  “O Passo do Lui “ , Barão vermelho vem de “Maior Abandonado” todos os álbuns re-ple-tos de hits. Não podemos esquecer de “Ronaldo foi pra Guerra” de Lobão e os Ronaldos com os sucessos “Corações Psicodélicos” e “Me Chama”.

O ano também gerou uma bela trilha sonora de filme com “A Dama de Vermelho” cuja trilha  tinha, entre outras ótimas canções, “I Just called to say I Love You” do colecionador de Grammies Stevie Wonder.

Os discos citados possuem algo em comum: clima “pra cima” e altíssima qualidade musical. Nos anos 80, escutávamos música em LPs ou em k7. Havia o Walkman, avô do MP3 player, no qual colocávamos fitas e saíamos pelas ruas calçando tênis Redley multicoloridos sob o sol oitentista. Íamos às casas de amigos para gravar fitas e trocar informações musicais. Bons tempos!

AFRICA- música tão grandiosa quanto o continente africano

Sucesso da banda lançado em 1982, no álbum Toto IV , ganhador de 6 Grammies,Africa quase não foi incluída no LP, pois alguns integrantes da banda achavam que a mesma não se encaixava na sonoridade das demais músicas. Para surpresa da banda, Africa tornou-se um hit, especialmente em dance clubs de New York. Os músicos sentiram-se surpreendidos , pois consideravam outras músicas do disco como potenciais hits e Africa seria a música obscura do álbum .
A letra é uma história romanceada de um assistente social que trabalha na África e tenta se distanciar do continente.

Jeff porcaro , baterista, ficou impressionado ao escutar, aos 11 anos de idade, percussão africana no pavilhão da África na New York World’s Fair. Isto refletiu quando Jeff e Lenny Castro fizeram o loop usando percussão africana de verdade. Paich disse que quando compôs a música no piano , nunca imaginou que ela se tornaria tão grandiosa. Em 2009, a banda executou a música no evento U.N for Bishop Desmond Tutu na África do Sul e Paich considerou o feito como um um dos momentos mais mágicos que vivenciou.

Curiosidades

O timbre de teclado vem de um Yamaha CS-80.

Joe Porcaro, pai de Jeff , tocou marimba .

A banda Weezer gravou um cover da canção em seu álbum mais recente. O resultado ficou bom , mas nada supera a sensibilidade que os músicos do Toto registraram na gravação original.

Ficha técnica

Bobby Kimball – backing vocals

Steve Lukather guitarra, piano, backing vocals

David Paich – vocal

Jeff Porcaro- percussão e bateria

Steve Porcaro -teclados, backing vocals

Timothy B. Schmit- backing vocals

Lenny Castro- percussão

David Hungate –baixo

I Want To Know What Love Is- emoção à flor da pele

Lançada em dezembro de 1984, a música nasceu em uma madrugada na qual Mick Jones estava sentado sozinho em um quarto escuro. A música fala das emoções básicas que todos nós sentimos. As primeiras coisas que ele escreveu foram a sequência de acordes da intro e o nome da música. Mick acordou sua futura segunda esposa e mostrou-a sua nova criação. Ela perguntou a ele:
“Você ainda não sabe o que é o amor? “

Mick Jones disse que a música era a expressão de sua vida tempestuosa dos ultimos três anos :

“Eu havia me divorciado e depois encontrei alguém com quem iria me casar. Havia um tumulto na banda por causa da grande pressão para vender milhões de discos . Eu acabava de voltar dos estados Unidos para a Inglaterra para estar em contato com minhas raízes. Eu estava muito sensível emocionalmente e estes fatos me provocaram um monte de coisas. Uma vez que me abrí para o que estava me comovendo, tudo aconteceu muito rápido. Eu sentí que algo especial estava por vir.”

Coral

O coral que participa da musica se chama New Jersey Mass Choir of the GWMA , que Jones descobriu acidentalmente. Quando Jones almoçava com um executivo da gravadora, ele o mostrou um catálogo de música gospel que acabara de adquirir. Mick Jones disse que queria incorpar a música e o executivo sugeriu incluir um coral gospel. Jones então gravou a música com 30 cantores à sua frente. Após alguns takes “mornos’ , nós nos reunimos em um grande cículo de mãos dadas e entoamos uma oração. “Repentinamente, eu chorei comovido pela alegria de estar alí. Foi uma experiência espiritual. O coral gospel transformou a música em uma canção universal. “

Sucesso

A canção atingiu o primeiro lugar no Reino Unido e nos EUA, e continuou nas paradas de sucesso quase duas décadas após o lançamento. A música entrou no top 25 no quadro Billboard Hot Adult Contemporary Recurrents em 2000, 2001 e 2002. Também está listada no número 479 na lista da revista Rolling Stone das 500 maiores músicas de todos os tempos.A banda recebeu cartas de pessoas agradacendo pela música que os confortaram em momentos difícies.
No Brasil, a versão original da banda fez parte da trilha sonora da novela Um Sonho a Mais, exibida pela Rede Globo em 1985, sendo tema dos personagens Volpone e Stella, interpretados por Ney Latorraca e Sílvia Bandeira.

Músicos que participaram da gravação

• Lou Gramm -vocal
• Mick Jones – guitarra, backing vocals, teclado
• Rick Wills –baixo, backing vocals
• Dennis Elliott – Bateria
• New Jersey Mass Choir of the GWMA – coro /backing vocals

Every Breath You Take: música de beleza única com letra ambígua

Maior hit da banda The Police, lançada em 1983, possuindo uma letra ambígua,a música fala do quanto uma pessoa pode devotar seu amor ao outro ou o quanto pode estar patologicamente obcecada (em inglês, usa-se o termo stalker).
O autor da música, Sting ( o nome real é Gordon Matthew Thomas Sumner) admite que sua composição de maior sucesso nada tem de original , pois a mesma possui uma sequência de acordes muito manjada e uma letra que poderia ser feita apenas usando um dicionário de rimas.

Um ano antes da música ser lançada no álbum Synchronicity, Sting terminou seu casamento de seis anos com Frances Tomelty. Ele começou o relacionamento com Trudie Styler com quem se casou em 1992. Sting disse em entrevista à revista Roling Stone :

“A música, inicialmente, me transmitiu tristeza, mas possui uma tristeza bela. Ela foi escrita em um momento de profunda angústia pessoal e foi uma grande catarse escrever esta canção “

Stewart Copeland conta que Sting chegou com a música arranjada para teclado e que ele insistiu que como eles são uma “guitar band” a harmonia devereia ser tocada por Andy Summers na guitarra. Andy então veio com seu maravilhoso timbre e seu jeito todo especial de arpejar dando identidade à harmonia da música.

Curiosidades

Em 1997, Puff Daddy lançou o hit I’ll be Missing You com participação de Faith Evans e 112. O arranjo contém samples de Every Breath You Take. Notorius B.I.G. foi assassinado dois meses antes da faixa ser lançada. A música foi dedicada a ele. Sting juntou-se a Puffy, Faith e 112 no MTV Video Music Awards em 1987 na apresentação de um mashup de I’ll be missing You e Every Breath You Take.

Sétima música mais tocada nas rádios brasileiras em 1983.

A música foi gravada com a banda tocando em 3 cabines diferentes. Sting e Stuart comunicavam-se através de uma conexão de vídeo.
Segundo o produtor Hugh Padgham, Sting e Copeland brigaram muito durante as gravações do álbum Synchronicity (rolaram agressões verbais e até físicas), o que resultou na separação da banda em 1984.

“Recebí muitas cartas de gente falando que a música tocou em seu casamento eu eu nunca contradisse sobre o significado que a música tem para estas pessoas. A música é para as pessoas aquilo que elas querem ouvir.”

Sting

Formação da banda

Sting- baixo e vocal
Stewart Copeland- bateria
Andy Summers- guitarra e teclado

Pedais de guitarra : latinhas coloridas cheias de som e magia

Divertidos e colecionáveis como carrinhos de brinquedo , os pedais de  guitarra são a alegria dos guitarristas. As meninas também adoram rodar os botões e brincar com o som que as latinhas coloridas produzem. É algo lúdico : rodar o potenciômetro e escutar o som que sai. Tocar guitarra é isto : divertir-se com os sons produzidos , tanger as cordas com os dedos  e se expressar. O mais legal é que , se você for bom nesta brincadeira prazerosa, ainda pode ser pago para continuar comprando guitarras e pedais. Se der sorte de cair nas graças de algum fabricante, pode ganhar instrumentos e viajar  às custas do fabricante para mostrar aos  outros  como estes brinquedos magníficos funcionam.

Quando começamos a tocar no quarto , a relação com a música é sempre lúdica , a gente se diverte tocando junto com as bandas que curtimos. Os músicos desta banda são nossos primeiros professores de música. De repente, decidimos começar a estudar a sério , seja para nos tornarmos profissionais ou apenas  como hobby , entramos em um processo de  autoconhecimento mágico : tudo começa a fazer sentido , a música vira o nosso norte , a motivação principal em nossas  vidas. O mundo se transforma a partir do momento em que o ato de tocar guitarra torna-se nossa terapia e forma  de expressão. Quando entramos em uma loja de instrumentos, é  como entrar na Disneylândia : pedais, cabos ,palhetas , amplificadores , guitarras, tudo junto em um lugar paradisíaco. Formas ,cores e sons saltam aos nossos olhos e ouvidos, prontos para nos encantarem. Precisamos de tão pouco para sermos felizes : uma guitarra , uns pedais coloridos e um amplificador. O resto passa a ser secundário em nossas vidas. A magia consiste em sentar na cama , ligar o som e sair tocando junto. Isso nos leva a outras dimensões e nos faz esquecer da correria cotidiana na qual vivemos,seja na adolescência ou na vida adulta. Estamos viajando e levitando no palco com a banda que amamos e este momento é sagrado. Nada pode nos interromper, pois estamos  em  comunhão com o eterno e divino som do Rock and Roll , este rítmo que agita todas nossas moléculas, o feeling toma conta  de nosso corpo e transferimos a eletricidade que sentimos aos nossos dedos que tocam as cordas de aço.

My Sharona – música quarentona com corpinho de 17

“My Sharona” da banda californiana The Knack completa 40 anos e continua jovem , como se tivesse  sido lançada ontem. A música, lançada  em 1979 , foi um hit imediato e  ficou seis semanas  como número um na parada Bilboard Hot 100.

A musa que inspirou a letra da canção foi namorada do vocalista Doug  Fieger durante  4 anos. A história do namoro começa quando Sharona Alperin , aos 17 anos , estudava na Fairfax High School em Los Angeles . Doug, nove anos  mais  velho, vivia cortejando a moça que já tinha um namorado. Ele persistentemente, convidava-a pra sair e ir aos ensaios da banda.

O primeiro contato que Sharona teve com a música que leva o seu nome foi quando a banda estava  ensaiando e eles executaram a canção. Ela logicamente, sentiu-se surpresa ao descobrir ser a musa desta música tão empolgante. “Fiquei atordoada quando todos pronunciaram meu nome na música pela primeira vez “, disse ela.

 Quando Sharona escutou a música no rádio pela primeira vez ,ela ainda estava com  seu futuro ex . Ela acabou não resistindo às investidas de Fieger, terminou o namoro e caiu nos braços do vocalista . Não é pra menos.“My Sharona” estourou nas paradas alçando a banda ao estrelato e transformando Sharona em ícone pop. Ela hoje é uma famosa corretora imobiliária em Los Angeles e continua  inda aos 59 anos (foto ilustrativa acima).

Curiosidades

A capa do single de “ My Sharona “ tem a prórpia Sharona segurando a  capa  do primeiro album da banda chamado “ Get the Knack”

A música foi inspirada em 3 hits lançados na década de 60.O riff da música foi inspirado em Gimme Lome Lovin’ gravada em 1966 por The Spencer Davis Group com Steve Winwood no vocal principal.

O arranjo de bateria veio de “ Going to a Go-Go” de Smokey Robinson & The Miracles.

A parte gaguejante do refrão “ma ma ma my Sharona” foi inspirada  em My Generation do  the Who , de 1965.

Juntando esses três ingredientes em seu caldeirão sonoro , os músicos fizeram um hit empolgante que prende a atenção logo em seus primeiros segundos de execução.

Clipe oficial de “ My Sharona “ com fundo branco , bem clean.

The Knack

A morte da liberdade criativa no Rock e no Pop

Com a recente morte de Ginger Baker aos 80 anos, muitas publicações começaram a comentar sobre a idade dos ícones do Rock e sua iminente morte. O assunto pode  parecer mórbido , mas não há como fugir da realidade. Vejam as idades atuais dos  ícones do Rock e do Pop extraídos do artigo “The coming death of just about every rock legend “ publicado em 31 de agosto de 2019 na revista The Week.

Bob Dylan (78); Paul McCartney (77); Paul Simon (77) and Art Garfunkel (77); Carole King (77); Brian Wilson (77); Mick Jagger (76) and Keith Richards (75); Joni Mitchell (75); Jimmy Page (75) and Robert Plant (71); Ray Davies (75); Roger Daltrey(75) and Pete Townshend (74); Roger Waters (75) and David Gilmour (73); Rod Stewart (74); Eric Clapton (74); Debbie Harry (74); Neil Young (73); Van Morrison (73); Bryan Ferry (73); Elton John (72); Don Henley (72); James Taylor (71); Jackson Browne (70); Billy Joel (70)

Os músicos que iniciaram nos anos 60 e 70 , tinham uma mentalidade diferente da turma que surge hoje. Eles se arriscavam no palco, não existiam os recursos de hoje como Autotune , por exemplo. O cara tinha que ser  músico de verdade para lotar um estádio. Este é um dos motivos de os senhores citados acima com suas respectivas idades serem referências até hoje. Cada show das bandas  clássicas como o Cream , por exemplo, era um incóginita. Os músicos improvisavam e faziam algo diferente a cada apresentação. Esta iprevisibilidade é magia pura : o público embarcava na viagem junto aos músicos. “Sair do script “ é o que fazia as pessoas pagarem para ver uma performance ao vivo.

Hoje em dia , qualquer garoto que domine tecnologia  pode gravar algo em seu quarto com qualidade profissional. As ferramentas baratearam com o advento da gravação digital ( Pro Tools, etc) . Não quero dizer que isto é ruim , muito pelo contrário. Mas devemos separar o joio do trigo, ou seja : a arte de gravar e tocar “na mão” está se perdendo. Isto é fato.O modelo de composição de músicas passou de artesanal , no qual o músico escreve sobre suas vivencias e se inspira no cotidiano para uma modelo industrial  no  qual  uma equipe composta por compositores e produtores usam fórmulas para lançar músicas de sucesso.A liberdade criativa deu lugar a fórmulas baseadas em algoritmos e estatisticas de vendas.Lógico que não somos ingênuos ao ponto de achar que , em algum momento, tudo foi espontaneo na industria da música. Mas podemos  afirmar que até 1995, ano no qual surgiu o MP3, ainda havia liberdade criativa. É difícil dizer com exatidão quando as gravadoras chegaram à conclusão de que a “música de laboratorio” seria  a sua salvação. Segue abaixo o link do podcast do canal  Som de Prosa com o resumo que fiz do livro de 200 páginas “Como a música ficou Grátis” . Vale a pena  escutar, o vídeo dura apenas 36 minutos.

Músicas como Money e Time do Pink Floyd e Bohemian Rhapsody da banda Queen, cada  uma com duração média de seis minutos, nunca teriam oportunidade de tocar nas grandes rádios se fossem lançadas hoje. Elas só tocam nas rádios de maior  alcance porque já possuem o status de “Rock Clássico”. Quem escrever uma música de seis minutos hoje já sabe que ficará restrito a um nicho de mercado e que sua música nunca será conhecida pelo grande público.

A Necessária Renovação da Guitarra no Rock

Em uma recente entrevista dada ao periódico The Dallas Morning News em 23 de setembro, Pete Townshend afirmou: “o Rock and Roll baseado em guitarra está perdendo espaço , não o Rock and Roll em sí . Hip Hop é Rock  para os meus ouvidos.” Ele ainda disse que os jovens guitarristas virtuosos que encontramos no Youtube e no Instagram são a prova de que as possibilidades da guitarra estão esgotando. Escutar tais afirmações de um guitarrista ícone do Rock é algo preocupante. Pete está desde os anos 60 encantando o mundo com sua guitarra cheia de atitude. Dizer que o Rock com guitarras vai desparecer é algo no mínimo estranho para alguém que continua compondo, ganhando uma fábula de dinheiro e dando shows empunhando o instrumento.Com todo respeito a Pete, dissertarei em defesa do Rock com guitarras e da genial garotada guitarrista que está surgindo cheia de “sangue nos olhos” e alegria no coração.

O fato de jovens guitarristas como Plini,Arielle ,Alyona Vargasova, entre outros, estarem surgindo, siginifica uma necessária e bem-vinda renovação no meio guitarrístico. A moçada tem criado novidades incríveis que estão dando um fólego para a indústria do instrumento. É notável o aparecimento de garotas tangendo delicadamente as seis cordas e incentivando as fãs a aprenderem a tocar guitarra. Já lí várias matérias falando que as mulheres estão salvando a guitarra. Espero que sim, pois ver garotas tocando e  formando bandas é algo fantástico.Uma pesquisa recente mostra que 45% das  guitarras  vendidas atualmente é para  iniciantes e que a metade delas  destina-se a consumidores do sexo feminino. Uma breve busca no Youtube resulta  em vários  vídeos de garotas esbanjando charme e técnica  apurada. Elas não estão de brincadeira, estão desenvolvendo novas  técnicas e mostrando a outras  garotas a beleza e o sexy appeal de empunhar o instrumento.Sabemos que o Rap e a cultura Hip Hop em geral dominam o mainstream atual. Isso é normal, faz parte da dinâmica cíclica do show business. Os jovens guitarristas, por outro lado, fazem parte de um importante nicho de mercado que deve ser alimentado para que não pare de crescer. É importante que haja renovação para manter a indústria da guitarra viva. A guitarra é o símbolo do Rock que transforma a rebeldia adolescente em música.Nada mais alentador do que ver a renovação surgir nas redes sociais como Youtube, Facebook e Instagram. Espero que esta nova safra de guitarristas se multiplique geometricamente no universo teen. Esta é uma tendência que dá gosto de ver crescendo :a garotada desenvolvendo  novas  formas de tirar som de uma guitarra. Muitos heróis da guitarra estão falecendo ou se aposentando, portanto, esta renovação é muito bem-vinda para que a cultura da guitarra  continue viva.

O universo da guitarra é amplo e mágico. Essa magia não pode se perder, pois ela alimenta as escolas, as lojas de instrumento , os fabricantes e todos envolvidos em sua cadeia produtiva.