Saudade dos papos analógicos

Tá  bom, sei que  você vai dizer : “lá vem o Oswaldo com mais  um texto saudosista sobre  memória afetiva  e bla bla bla.”

Fazer o quê? Esse distanciamento social é a oficina do saudosismo. Já lí várias matérias  falando que o aumento de plays  de álbuns antigos  aumentou muito no Spotify porque o povo quer lembrar daquela época na qual tudo era estável e mais tranquilo. O mundo estava  em ritmo acelerado e, quando apareceu o Covid -19, o caos voltou a reinar.

Outro dia, vagando pela internet , deparei-me com a imagem de uma loja de equipamentos de  som dos anos 80 . Lembro que entrávamos nessa  lojas só para  viajar nas luzinhas e botões dos aparelhos e, logicamente, escutar quele som analógico de alta qualidade.Pena que as novas gerações nunca terão oportunidade de passarem por esta experiência .undefined

Como eu era adolescente na época, ingênuo como sempre, sonhava em comprar um potente equipamento quando fosse adulto. Entrar em uma loja era como estar na Disneylândia: luzes piscando, globo de espelhado no teto e  o som do vinil rolando solto. Muitos vendedores sabiam que garotos como eu não entravam para comprar equipamentos caros, mas sempre rolava um papo legal sobre música e, quem sabe, a partir daquela conversa, poderia sair uma venda futura. Às vezes, eu entrava na loja só para comprar uma simples agulha para a vitrola, mas antes de pagar pelo acessório, passeava pela  loja conferindo as novidades em equipamento. Acabava que eu sempre conhecia alguma banda nova cuja música estava  tocando na loja.

Era uma viagem !

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O simples fato de ir comprar uma fita K7 era pretexto para entrar na loja e  discutir sobre a vantagem da fita “chrome”em relação à fita convencional. Havia uma grande variedade de marcas e sempre rolava umas discussões malucas sobre o mito das fitas de 90 minutos serem piores do que as de 60 minutos. Como era tudo analógico , havia milhões de variáveis quando a assunto  era  gravar uma simples fita.  Essas  variáveis é que faziam parte da magia , pois  sempre ficava aquela impressão de que tal fica  ficou mais bem gravada que outra. O ato de ficar escutando e comparando as fitas fazia parte do ritual de encontrar com  amigos e bater aquele papo prazeroso com diálogos do  tipo :

Fulano -A fita Maxell Normal Bias ficou melhor que a Basf Chrome2

Beltrano-Mas o equipamento na qual a Maxell foi gravada  era melhor.

Fulano-Na próxima vez, vamos  gravar as duas  no mesmo equipamento para ver o que acontece.

Conversas assim duravam a tarde toda deixando na gente  a expectativa de um novo encontro para comparar as  gravações. Bons tempos !

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

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