Iron Maiden: porque considero “Piece of Mind” o melhor álbum da banda

Antes que algum fã fundamentalista discorde da minha opinião e queira me torturar trancando-me em um quarto escuro tocando músicas da banda Los Hermanos durante 24 horas, quero dizer que o texto abaixo foi escrito apenas para destacar os motivos pelos quais considero este álbum como sendo o melhor lançamento de estúdio do Iron Maiden baseado, apenas, em meu gosto musical.

Após essa longa frase de “disclaimer” (conseguiu ler tudo sem parar para respirar?), vamos lá.

Lançado em 16 de maio de 1983, “Piece of Mind “marca a estréia de Nicko McBrain na banda , iniciando a melhor série de álbuns do Iron Maiden , que termina com o  lançamento de “Seventh Son of a Seventh Son” em 1988. A formação clássica da banda é desse período, da esquerda para a direita , é :

Dave Murray-guitarra

Bruce Dickinson –vocal

Steve Harris- baixo

Nicko McBrain – bateria

Adrian Smith –guitarra

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Falar desse disco ( meu primeiro contato foi através de um exemplar em vinil que comprei ) é sempre uma agradável viagem no tempo. A memória afetiva vem trazendo boas sensações,  como aquele bolo de chocolate gostoso que comemos quando estamos estressados e vamos a um café  para esquecer de tudo e descansar a cabeça.

O engraçado é que o nome  “Piece of Mind” é um trocadilho  com a expressão “peace of mind”, que siginifica “paz de espírito”. Na capa do álbum , vemos  o mascote Eddie lobotomizado (“piece” significa pedaço, então a brincadeira  é : lobotomizaram o Eddie , trazendo-o paz de espírito).

Uma das coisa que me  encantam no álbum é que sua sonoridade é crua  e as guitarras, principalmente, estão “na cara” . Uma forma de perceber o que falo é  escutar a música “Revelations” e suas pausas. Aquele silêncio entre as notas mostra que todos  os insturmetos  estão “secos”. A impressão ao escutar o disco ( LP ou CD)  com  uma boa aparelhagem é que a banda  está tocando em sua sala de  estar !

 Vamos ao faixa  a  faixa :

Where Eagles Dare

Steve Harris, tinha 12 anos quando Where Eagles Dare ( “O Desafio das Águias” no Brasil) chegou aos cinemas em  1968.Em 1983, Harris prestou homenagem ao filme ambientado na Segunda Guerra Mundial, estrelado por Clint Eastwood e Richard Burton

A músia  começa  com Nicko espancando a bateria , mostarnso ,assim, pros fãs da banda que ele tinha chegado pra ficar. A música é cheia de dinâmicas e tem um belo solo de guitarra no meio.

Revelations

Esta fantástica música está  no meu Top 10 da banda. Algo muito inspirador, com certeza ,aconteceu quando os músicos gravaram esta música. Sem extraterrestre aparecesse do nada me perguntando para definir Heavy Metal, eu certamente  colocaria esta música para ele escutar . Está  tudo ali : belas melodias , guitarras harmonizadas, uma letra fantástica e muita energia.

Flight of Icarus

O refrão dessa música  é um dos mais  belos da banda. Melodia e letra encaixam-se perfeitamente nessa  música que  conta um pouco da história do mitológico homem que sonhava em voar. Os solos de Dave  e Adrian encaixam-se perfeitamente como se eles fossem gêmeos univitelinos. Assim como Revelations, esta música  também está no meu Top 10  da  banda.

Die With Your Boots On

O título da música é uma expressão que significa morrer em batalha .Esta é a música que menos escuto desse álbum. Para mim, uma faixa mediana.

The Trooper

A  letra da música foi escrita por Steve Harris, e é geralmente interpretada, nos shows, por Bruce Dickinson, vestindo uma farda do exército britânico  segurando uma bandeira do Reino Unido. O texto baseia-se no poema de Lord Tennyson, intitulado “The Charge of The Light Brigade”. O fala da Batalha de Balaclava, ocorrida durante a Guerra da Criméia, em 1854. Trata-se basicamente de uma narrativa da batalha sob o ponto de vista de um cavaleiro britânico, que, sem esperanças, avança contra as linhas russas

A música é a mais tocada nas plataformas de streaming e tem presença garantida em todos os shows do Iron. Não é para menos: o ritmo galopante da música com suas  pausas e  as guitarras harmonizadas resumem bem a clássica sonoridade da banda.undefined

Still Life

A letra fala sobre um cara que se sente atraido por um lago, olha faces no lago, tem pesadelos sobre isso e enfim salta e leva sua desafortunada namorada com ele. É inspirada pelo romance de Ramsey Campbell, “The Inhabitant of The Lake.”

A música começa com uma intro  com um solo de guitarra bem melódico  e depois explode com  guitarras distorcidas  e bruce cantando agressivamente. É uma das minhas músicas preferidas da banda.

Quest for Fire

Inspirada no livro homônimo , a letra  fala sobre as brigas entre tribos rivais  pelo fogo, algo recentemente descoberto pelo homem na época em que os  também dinossauros caminhavam pela Terra.

Sun and Steel

A música fala sobre Miyamoto Musashi, um legendário espadachim japonês. A letra faz referências ao livro de Musashi’s, “A Book Of Five Rings.” A primeira luta de Musashi foi com a idade de 13 anos, quando ele (destreinado) supostamene derrotou seu oponente, um guerreiro samurai, matando-o com uma vara.

 Aos 16 anos teve sua segunda luta, e matou este oponente também. O verso “Through Earth and Water, Fire and Wind, you came at last, Nothing was the end” é uma referência ao “Book Of Five Rings.” Musashi também escreveu seu livro em 5 seções (livros): Earth, Water, Fire, Wind e Void (vazio). “You make your cut by Fire and Stones, take you and your blade, break you both in two”.

 O “corte de fogo e pedra” é um movimento que Musashi descreve no livro, capaz realmente de partir em dois o oponente e sua lâmina. Também, de acordo com o livro “Kenjutsu: The Japanese Art of Swordsmanship”, de Charles Daniel, Musashi morreu de causas naturais aos 61 anos.

A música, assim como The Trooper, também tem um ritmo galopante e um belo refrão .undefined

To Tame a Land

 Baseada na novela “Duna”, de Frank Herbert. A canção aparentemente deveria se intitular “Dune” e Steve pretendia usar uma citação falada do livro como introdução. Por questão de cortesia eles pediram permissão ao agente de Frank Herbert, e a resposta veio do próprio Herbert: “Não, porque Frank Herbert não gosta de bandas de rock, particularmente bandas de heavy rock e, especialmente, bandas como o Iron Maiden.” Mesmo informado de que a banda achava que seria uma boa divulgação do livro “Duna” e tudo mais, Frank Herbert disse que se o Iron Maiden continuasse com isso, seriam processados.

A música tem um jeitão egípsio , retomado na música Powerslave gravada em 1984.undefined

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

7 comentários em “Iron Maiden: porque considero “Piece of Mind” o melhor álbum da banda

  1. Excelente! A entrada do Nicko na banda a tornou mais agressiva. Como você bem disse, “guitarras na cara” e a porrada comendo solta! Não há uma música mais ou menos. É tudo brilhante! Foi o primeiro album que comprei da banda (junto com o Powerslave), é foi um divisor de águas na minha vida. Abs!

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  2. Piece of Mind é simplesmente a “donzela de ferro” mostrando como o heavy metal e a história podem conviver unidos. Os caras do Maiden são verdadeiros professores! Uma curiosidade é que este álbum foi o que fez a minha mãe finalmente dar um crédito à banda, já que antes ela sempre via-os com maus olhos… Além de reconhecer o potencial do Maiden com Piece of Mind, ela também se esqueceu de que a música ruim existe no mundo, e que existe muita música boa sim!

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      1. Sem dúvida, meu caro amigo… Este é realmente um disco muito bom da donzela. O curioso ainda é que Piece of Mind está espremido entre dois monumentais trabalhos lançados pela banda – The Number of the Beast (1982), e aquele que na minha opinião é o melhor do Maiden: Powerslave (1984). Enfim, vida longa ao Maiden, e Up the Irons!

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  3. Sem dúvida um dos melhores trabalhos da banda. Acho que está ao nível de powerslave. Correndo o risco de ninguém concordar comigo, dos novos trabalhos da “donzela” um dos melhores albuns para mim é o “A Matter of Life and Death”.

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