Brincando de escolher trilogias na mesa do bar

Por que as pessoas gostam de trilogias ? Não sei , talvez seja pelo siginificado do número 3 na numerologia cabalística :

 “Comunicação, evolução, interatividade, sinceridade e expressão é a chave do contexto que este número carrega. Ele representa o mundo de maneira clara e igualitária, onde todos que compõe possuem força, criatividade e transformação. “

 Fonte : https://www.iquilibrio.com/blog/oraculos/numerologia/numerologia-cabalistica/#Numero_3

A idéia do número 3 trazer força , criatividade e transformação justifica bem o motivo pelo qual artistas gostam de criar trilogias . No cinema, temos , por  exemplo , a trilogia de “O Poderoso Chefão”, na literatura, temos várias  trilogias ,como a de “ Senhor dos Anéis”.

Outro dia, em uma conversa de bar,onde surgem as grandes idéias, pintou um papo de trilogias. Cada um citou suas trilogias favoritas e logo ,impulsionados pelo álcool, começamos a inventar trilogias segundo nosso gosto musical , mesmo sabendo que as bandas não tinham pensado em trilogias ao criarem suas sequências mágicas de álbuns. Foi um exercício divertido justificarmos o motivo pelo qual escolhemos nossas sequências de álbuns clássicos . Coincidentemente, éramos 3 amigos e havíamos bebido 9 garrafas de cerveja , ou seja, 3 garrafas  de 600 mililitros  cada um. O primeiro, já com a voz meio embolada, logo começou citando os três primeiros do Led Zeppelin . Achei óbvio demais , mas cada um escolhe  o que quer. Outro , logo falou de três albuns do Jeff Beck : The Jeff beck Group , Blow by Blow e Wired . Ótima escolha !

Chegou a minha vez e, baseado (sem trocadilhos) em minha  memória  afetiva, sem titubear, falei : “Piece of Mind”, “Powerslave” e ”Somewhere in Time” do Iron Maiden. Um dos amigos ainda completou com o “Seventh Son of a Seventh Son” , mas ,como trata-se de trilogias, deixei esse álbum  de fora.Na verdade, minha trilogia representa o auge criativo da banda com álbuns de sonoridades completamente distintas. Não precisei justificar aos amigos a minha escolha , mas vou escrever aquí um pouco sobre os motivos pelos quais escolhí esses três  álbuns que são muito importantes na evolução do Heavy Metal como um todo.

Minha história com o Iron Maiden começou quando comprei os LPs do “Powerslave” e o “Piece of Mind” juntos . Eu já havia lido sobre a banda  em revistas especializadas e fiquei curioso pra escutar o som dos britânicos. Coloquei na vitrola o Lado A do “Powerslave” e pirei  com  “Aces High”. Eu nunca havia  escutado algo parecido antes : guitarras harmonizadas daquela forma e  Bruce Dickinson cantando aquela melodia veloz de tirar o fólego. Logo após, veio “2 Minutes to Midnight” com seu riff poderoso e os belos solos da dupla Adrian Smith e Dave Murray.” Losfer Words” mostra  os  dois ases da guitarra duelando lindamente em climas  viajantes. E começo a entender melhor o  motivo pelo quala  banda ser tão aclamada pelo público e  pelas  revistas. Tudo é perfeitamente  sincronizado . Escuto  faixa título e aquele riff com temática egípcia ficou  em minha  cabeça. Uma loucura !

Tirei o “Piece of Mind” do plástico protetor e viajei na capa dupla e na foto da banda sentada à mesa. Quando coloco  o disco pra tocar, noto que o som é diferente, mais cru, com tudo mais “ na cara”. Escuto “Revelations”  com  suas  pausas indo e vindo e me sinto como se estivesse no estúdio junto com a banda. Que sensação maravilhosa ! Escuto “Still Life” e embarco na viagem proposta pelo belo solo da introdução . Depois , a música entra “quebrando tudo” e me pego fazendo air guitar sentindo o poder da música. “To Tame a Land”  termina com temática  egípcia que me faz lembrar o Powerslave e fico intrigado . Qual álbum saiu primeiro ? Pesquisei  as  capas  dos  discos  e  descubrí que  o POM foi  gravado antes do Powerslave, então ,concluí  que a última faixa do Lado B  foi um prenúncio do que viria no próximo álbum.

Mais ou menos um ano depois, estou  andando  pela  rua , passo  em  frente  a  uma loja qualquer e  escuto “Stranger in a Strange Land” tocar no rádio. Isso mesmo , Iron Maiden, uma banda de Heavy Metal , tocando em uma rádio brasileira em plenos  anos  80 ! Bruce Dickinson e guitarras  sintetizadas ?  Sim , esta  é a mistura sonora do no novo álbum do Iron lançado em 1986 : “Somewhere in Time”.  Arrumei um  jeito de  comprar  o  álbum logo . É importante  lembrar da  estratégia das gravadoras na época : como as únicas  mídias  para  escutar  música  eram LPs, fitas K7  e as rádios, era comum um  single  ser  lançado  como forma de atiçar a curiosidade  do consumidor fazendo-o compar  o  álbum inteiro para  escutar  todas  as músicas. O “Somewhere” ( para os mais íntimos) trazia algo inédito no som da banda : guitarras  sitetizadas. A maravilhosa ideia veio de Adrian Smith, que , de olho nas  novidades , trouxe frescor ao som do Iron. Além da faixa citada anteriormente, o álbum tinha, entre  outras músicas fantásticas, “Wasted Years” e “Alexander , The Great “, música épica, de 8 minutos e 37 segundos de duração e que  tem uma linda introdução. A capa é uma viagem a mais : o mascote da banda,  Eddie, foi desenhado em um cenário futurista cheio de desenhos alusivos às músicas da banda.

Mas, aí , você, que é profundo conhecedor da banda vai  falar :  uai, mas o “Live  After Death “foi lançado em 1985, entre o Powerslave  e o Somewhere in Time. Sim, foi, mas  o LAD é  um álbum ao vivo gravado na “ World Slavery Tour” e contém músicas lançadas pela banda  até aquele momento.

Em 1988 , a banda lançou o Seventh Son of a Seventh Son , álbum que fechou  com chave de ouro a mágica década de lançamentos geniais do Iron Maiden. Após a tour de lançamento do SSOASS , Adrian Smith saiu da banda. Com a saída do guitarrista , que décadas depois voltaria à banda , encerra-se a sequência de álbums mágicos do Iron Maiden com sua  formação clássica na década de 80.

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