Discos de vinil : a vida tem ruído de superfície

Quero que você embarque , caro(a) leitor(a) , na viagem que sempre faço quando dedico um precioso tempo para  apreciar música.É uma viagem no tempo, com muita memória afetiva, echarcada de sons e outras sensações.O ritual de sentar num sofá , pegar um LP , sentir o cheiro do vinil e colocá-lo sob a agulha para tocar sempre foi algo divino pra mim . Não se trata só de música, mas também de fazer bem à alma. Inundar a sala de visita com a energia do momento, como um instante de meditação.

Sei que equipamentos e mídias mais modernas já foram inventados , também sei que o streaming domina o mercado musical. Inclusive, utlizo o Spotify diariamente por ser um modo prático de escutar música na rua ou durante o trabalho. Mas, sentar e apreciar boa música relaxado sentado em uma poltrona confortável concentrado no som que sai das caixas acústicas é outro nível. Concentrar nossa percepção na música ao redor sem nenhuma outra interferência é bem diferente de andar preocupado em atravessar a rua ou desviar dos pedestres na calçada.undefined

Qual o seu álbum favorito ? Quando foi que você escutou este álbum inteiro do início ao fim como se estivesse lendo um livro ou vendo um filme comendo pipoca e dedicando total atenção ao que está vendo ? Recomendo àquele que nunca experimentou apreciar música em mídia analógica que faça isso logo, é uma experiência muito prazerosa.Dedicar toda sua  atenção exclusivamente ao som que entra em seus ouvidos , passa por todo o corpo e  ilumina a alma é algo que todo ser humano  deve fazer. Não é necessário que você utilize um equipamento de alta fidelidade sonora para curtir o som do vinil, basta concentrar-se e conectar-se com o som que te envolve. O som com alguns ruídos de superfície faz parte do ritual , ele nos lembra que devemos estar atentos a todos os sons que surgem, coisa que o CD e o streaming não fazem. Sinta o momento plenamente fazendo com que o ambiente , os alto-falantes e você fundem-se em uma coisa só.

Sempre que realizo este ritual , a memória afetiva da adolescência vem à tona. Aquele garoto de 14 anos que comprou o álbum 5150 do Van Halen em 1986, logo após enlouquecer ao escutar Why Can’t This Be Love no rádio  reaparece em mim. Eu tinha cabelos longos, muita energia e cabeça cheio de sonhos. É sempre bom resgatar essa sensação. Eu estava aprendendo a tocar guitarra e tinha que afinar o instrumento de acordo com cada vinil que escutava (gravação analógica  tem dessas  coisas). Era um desafio , mas , quer saber? Tudo isso foi muito importante  para a minha evolução como músico e ser humano.

Lembro que ,em 1988 , escutei Stranger in a Strange Land do Iron Maiden tocar no rádio e quase não acreditei  ao notar que minha banda preferida de Heavy Metal tinha feito algo bem próximo do Pop para conquistar as rádios. A consequência disso foi , mais uma vez, correr à loja de discos  e  comprar o álbum Somewhere In Time.

Comprar um LP também era algo prazeroso. Eu já chegava na loja sabendo o que queria comprar ,mas manipular as bancadas olhando as capas dos “bolachões” da loja fazia parte do agradável programa que às vezes, demorava horas. Veja bem , eu entrava na loja para comprar apenas um LP, mas viajava no meio do processo.

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

2 comentários em “Discos de vinil : a vida tem ruído de superfície

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