A “Economia da Nostalgia” e o atual paradoxo do jovem roqueiro

A chamada“Economia da Nostalgia” nada mais é do que o uso de memórias afetivas do passado para impulsionar o consumo no presente. Um estudo liderado por Jannine La Saleta, professora de marketing na Grenoble École de Management, na França, descobriu que a nostalgia induz sentimentos de conexão social, que fazem as pessoas valorizarem menos o dinheiro – e, como consequência, gastarem com menos restrições.Segundo a pesquisa, é altamente provável que alguém possa ter mais chances de comprar algo quando se sente nostálgico. Além disso, o estudo também mostrou que, quando o futuro parece incerto, ceder à nostalgia faz com que as pessoas se sintam mais otimistas.Apelar à nostalgia surgiu como uma técnica de marketing eficaz nos últimos anos, espalhando-se não apenas em produtos, mas também em entretenimento, moda e até estilo de vida.“A nostalgia traz de volta aquela sensação positiva sobre como as coisas era melhores no passado”, explica Jamie Gutfreund, CMO da agência Deep Focus.“Você quer reviver esse sentimento e as marcas sabem que podem desencadear essas emoções em seus consumidores”, conclui.

Como o assunto do Questionassom é música, vamos ao que interessa. Há um bom tempo, os donos das casas de shows sacaram que o grande lance, principalmente de quem curte Rock , é a Nostalgia. A esmagadora maioria das bandas de Rock que se apresentam nas casas é de bandas cover . Uma fato curioso a respeito disso  é que grande parte dos frequentadores é de pessoas que não viveram na época dos Beatles, mas , mesmo assim, sentem saudade dos anos 60.

Esta cultura de que “ não se faz mais Rock como antigamente” é muito forte no meio roqueiro e os empreendedores do setor, no intuito de manter o ciclo lucrativo, reforçam esta idéia. A própria indústria fonográfica já  sacou isto. Greta Van Fleet, uma “banda nova” que recicla som antigo (para não falar que copia Led Zeppelin) , é uma das atuais hypes entre os roqueiros. Já presenciei altos debates a respeito do GVF em grupos do WhatsApp e do Facebook  e  um dos argumentos  mais usados é : “prefiro banda que recicla o som do Led Zeppelin do que banda que procura fazer algo novo e faz música ruim”. Essa frase tem dentro de sí o preconceito de que fazer algo novo não é bom , de que tudo que poderia ser criado de bom no Rock já foi feito e o que resta agora é “ reciclar” o som de bandas clássicas.

É normal que os “tiozões do Rock” (roqueiros estão na faixa dos 40 anos em diante) curtam uma nostalgia, mas jovens preconceituosos que torcem o nariz para algo que é novo ,até então, era algo bastante incomum. Sim,o jovem roqueiro de hoje vive um paradoxo :a atitude contestadora de romper com o que está estabelecido deu lugar ao saudosismo , à passividade. Muitos , preocupam-se em mostrar aos outros  que são a favor de preservar as “girafas da Amazônia” nas redes  sociais, mas, na verdade, são jovens caretas que só ficam no discurso , que se embebedam com Danoninho. Talvez , Humberto Gessinger, ao cantar, nos anos 80  “ a juventude é uma banda numa propaganda de  refrigerante” tenha profetizado o que acontece hoje, em 2020. Só espero não presenciar uma passeata na Avenida Paulista pedindo a volta do Crush , um extinto refrigerante sabor laranja que eu bebia na infância.

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

2 comentários em “A “Economia da Nostalgia” e o atual paradoxo do jovem roqueiro

  1. Reflexão muito pertinente. Momento histórico de superestímulos, muitos acessos e poucos saberes. Especialistas de tudo, pouco podem construir. Parece que precisamos ensinar o be a bá da poesia para que novidades nos sejam apresentadas. Falta pensar rockin’ rol de fato! Viva a música de qualidade!!

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  2. A facilidade do acesso a informação faz dessa nova geração ,jovens mais acomodados e suas utopias são de muita liquidez.Observar a falta de expressão e criação, e a facilidade da apropriação do que já fez história é bem mais prático e rápido.A grande diferença está entre ser comercial e ter sucesso,o rock mantém sua identidade no sentido de juventude e a trajetória dos artistas já são âncoras de consumo na esfera comercial da música.

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