Neil Peart partiu levando consigo grande parte da arte de tocar bateria

A foto ilustrativa deste texto mostra um contraste que é cada vez mais atual no mundo da música. Enquanto uns fazem música orgânica , outros usam recursos tecnológicos  para compor. O uso de drum machines e computador para criar rítmos não são novidade no século atual. Nada tenho contra usar a tecnologia para gravar música , mas tudo tem limite. Uma coisa é o crescente barateamento do processo de gravação devido ao advento de softwares de gravação em computador e , recentemente , em smartphones, outra é criar sons artificiais e  corrigir erros de afinação vocal e performance instrumental de forma exagerada. Mas, o que isso tem a ver com a recente morte de Neil Peart ?

Então, o baterista canadense é um dos grandes representantes da arte de tocar bateria organicamente. Dono de uma precisão “milimétrica” e técnica absurda , Neil Peart , junto ao Rush , encantou o mundo . Tudo era tocado “na mão”, sem correções digitais. Além de um virtuose na bateria , Neil escrevia as letras da banda baseando-se em ficção científica e em suas vivências. As letras de Peart encaixam-se perfeitamente no som intrincado do Rush. Qualquer pessoa que entende minimamente de música, sabe o quanto é difícil soar ao vivo como o trio canadense. A sonoridade do Rush é complexa, é verdadeiro um deleite aos ouvidos . O som da banda é um delicioso quebra-cabeça auditivo.

O processo de composição musical foi banalizado pelos recursos tecnológicos e qualquer um que domine softwares musicais, pode criar os seus beats, sem entender minimamente de música. Basta apertar uns botões e um garoto cria uma faixa de Rap, Trap ou , no caso do Brasil , Funk . Muito se discute se este é um caminho sem volta , se os garotos largarão as  baquetas e as guitarras e passarão a usar apenas o teclado do notebook e o mouse. Só o tempo mostrará para qual rumo a música irá. Mas uma coisa é certa : bateristas como Neil Peart não aparecerão mais. Ele veio de outra escola musical, a escola que tinha mestres da  bateria como Buddy Rich, Ginger Baker e John Bonham. Peart aprendeu a tocar escutando grandes bateristas de Jazz, Hard Rock e Progressivo. Ele teve a sorte de juntar-se aos igualmente virtuosos Geddy Lee, baixista e tecladista, e Alex Lifeson,guitarrista. Neil Peart entrou para a história do Rock como um dos gigantes da bateria e grande escritor que foi. Hoje , ele está no céu com os seus ídolos, encantando e divertindo os anjos com suas batidas orgânicas e poderosas.

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

Um comentário em “Neil Peart partiu levando consigo grande parte da arte de tocar bateria

  1. Pessoas com dons especiais deixam ensinamentos e boas influências. Cada um tem uma forma especial de transmitir ensinamentos e o seu entusiasmo em tocar demonstrava a sua experiência, servindo de referência para quem quiser apreciar sua desenvoltura e paixão através da música.

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