A morte da liberdade criativa no Rock e no Pop

Com a recente morte de Ginger Baker aos 80 anos, muitas publicações começaram a comentar sobre a idade dos ícones do Rock e sua iminente morte. O assunto pode  parecer mórbido , mas não há como fugir da realidade. Vejam as idades atuais dos  ícones do Rock e do Pop extraídos do artigo “The coming death of just about every rock legend “ publicado em 31 de agosto de 2019 na revista The Week.

Bob Dylan (78); Paul McCartney (77); Paul Simon (77) and Art Garfunkel (77); Carole King (77); Brian Wilson (77); Mick Jagger (76) and Keith Richards (75); Joni Mitchell (75); Jimmy Page (75) and Robert Plant (71); Ray Davies (75); Roger Daltrey(75) and Pete Townshend (74); Roger Waters (75) and David Gilmour (73); Rod Stewart (74); Eric Clapton (74); Debbie Harry (74); Neil Young (73); Van Morrison (73); Bryan Ferry (73); Elton John (72); Don Henley (72); James Taylor (71); Jackson Browne (70); Billy Joel (70)

Os músicos que iniciaram nos anos 60 e 70 , tinham uma mentalidade diferente da turma que surge hoje. Eles se arriscavam no palco, não existiam os recursos de hoje como Autotune , por exemplo. O cara tinha que ser  músico de verdade para lotar um estádio. Este é um dos motivos de os senhores citados acima com suas respectivas idades serem referências até hoje. Cada show das bandas  clássicas como o Cream , por exemplo, era um incóginita. Os músicos improvisavam e faziam algo diferente a cada apresentação. Esta iprevisibilidade é magia pura : o público embarcava na viagem junto aos músicos. “Sair do script “ é o que fazia as pessoas pagarem para ver uma performance ao vivo.

Hoje em dia , qualquer garoto que domine tecnologia  pode gravar algo em seu quarto com qualidade profissional. As ferramentas baratearam com o advento da gravação digital ( Pro Tools, etc) . Não quero dizer que isto é ruim , muito pelo contrário. Mas devemos separar o joio do trigo, ou seja : a arte de gravar e tocar “na mão” está se perdendo. Isto é fato.O modelo de composição de músicas passou de artesanal , no qual o músico escreve sobre suas vivencias e se inspira no cotidiano para uma modelo industrial  no  qual  uma equipe composta por compositores e produtores usam fórmulas para lançar músicas de sucesso.A liberdade criativa deu lugar a fórmulas baseadas em algoritmos e estatisticas de vendas.Lógico que não somos ingênuos ao ponto de achar que , em algum momento, tudo foi espontaneo na industria da música. Mas podemos  afirmar que até 1995, ano no qual surgiu o MP3, ainda havia liberdade criativa. É difícil dizer com exatidão quando as gravadoras chegaram à conclusão de que a “música de laboratorio” seria  a sua salvação. Segue abaixo o link do podcast do canal  Som de Prosa com o resumo que fiz do livro de 200 páginas “Como a música ficou Grátis” . Vale a pena  escutar, o vídeo dura apenas 36 minutos.

Músicas como Money e Time do Pink Floyd e Bohemian Rhapsody da banda Queen, cada  uma com duração média de seis minutos, nunca teriam oportunidade de tocar nas grandes rádios se fossem lançadas hoje. Elas só tocam nas rádios de maior  alcance porque já possuem o status de “Rock Clássico”. Quem escrever uma música de seis minutos hoje já sabe que ficará restrito a um nicho de mercado e que sua música nunca será conhecida pelo grande público.

Publicado por Oswaldo Marques

Moro em Belo Horizonte, MG , sou um músico que curte trocar idéias e questionar sobre tudo que acontece no mundo da música.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: